Existem várias práticas padrão de SEO amplamente aceitas quando se trata da otimização de URLs. Porém a frequência que essas práticas são tratadas como alavancas de alto impacto, independentemente do contexto, não faz sentido.
Por exemplo: mudar toda a estrutura de URLs de um site apenas por razões de SEO é algo que nunca recomendaria a um cliente, a menos em condições muito específicas.
No post de hoje, vou cobrir rapidamente as boas práticas tradicionais para URLs e, em seguida, focar na parte que raramente discutimos o suficiente: o equilíbrio entre impacto e esforço dessas práticas e como, às vezes, não fazer nada é perfeitamente aceitável.
Boas práticas de SEO para URLs
Sem mais delongas, aqui está uma lista objetiva do que você provavelmente já conhece e com o qual todos concordamos:
- URLs devem ser curtas e descritivas.
- URLs devem incluir palavras-chave.
- Evite repetição ou “keyword stuffing” (excesso de palavras-chave).
- URLs devem estar em letras minúsculas e usar hífens (“-”), nunca underscores (“_”).
- Remova palavras vazias (“stop words”) como “a”, “o”, “de”, etc.
- URLs devem ter uma hierarquia clara e lógica.
Claro, algumas pessoas podem acrescentar outros pontos, como o uso de HTTPS, mas a lista acima representa o núcleo das recomendações de SEO para boas URLs.
Mitos e equívocos
Alguns pontos frequentemente ignorados ao discutir ou recomendar otimizações de URL:
1. O Google NÃO usa a estrutura de URLs para entender a arquitetura do site
Você leu certo: o Google nãousa a estrutura das URLs para mapear a estrutura do seu website. Essa informação está escondida na documentação do Google, e suas primeiras buscas talvez nem a encontrem.
E por que isso importa? Porque já perdi a conta de quantas vezes ouvi profissionais de SEO recomendarem uma reestruturação completa das URLs só para ajudar o Google a entender melhor o site. Não faça isso. A matemática de impacto versus esforço simplesmente não fecha. Afinal, trata-se tecnicamente de uma migração… com muito esforço e retorno quase nulo.
Quando é seguro fazer isso sem preocupações? Somente se você tiver um site muito pequeno ou ainda novo. Nesse caso sim, por clareza e lógica, vale a pena ajustar. Fora isso, eu recomendo evitar.
2. É permitido ter uma estrutura de URL plana
Vou dizer isso bem alto e claro: tudo bem ter URLs no formato:
seudominio.com/titulo-do-postseudominio.com/blog/titulo-do-postseudominio.com/produtos/nome-do-produto
Perceba que nos exemplos acima não há categorias (como /blog/marketing/ ou /produtos/eletronicos/), e isso é totalmente aceitável.
Na verdade, já trabalhei com algumas das estruturas de URL mais bagunçadas do mundo (em sites grandes com CMS personalizados, onde cada alteração exigia codificação manual) e mesmo assim tivemos ótimos resultados na busca.
As URLs raramente são o gargalo. Quase nunca. Claro, não estou defendendo URLs planas se você tiver a opção de implementar uma hierarquia lógica. O que digo é que mudanças em larga escala raramente entregam o impacto que as pessoas esperam.
3. Categorias nas URLs realmente importam?
Há três situações em que eu recomendaria incluir categorias na URL e evitar uma estrutura plana:
- Seu site é novo ou pequeno. Mudar a estrutura de URLs é uma migração, com riscos reais e possível flutuação de desempenho.
- Seu site corre risco de penalização por causa de um tipo específico de conteúdo. Se esse conteúdo problemático não estiver isolado em uma pasta ou subdomínio, o Google pode penalizar todo o site.
- Sites internacionais. Se você faz SEO internacional com múltiplos idiomas, ter uma estrutura clara de pastas na URL (ex:
/pt/,/es/,/fr/) não é apenas uma boa prática.
4. Não mude URLs só para adicionar palavras-chave
Isso pode parecer um pouco controverso, mas entra na categoria de mudanças desnecessárias e de baixo valor.
Sim, suas URLs devem conter palavras-chave. Mas e se elas já estiverem publicadas, recebendo impressões e cliques da busca, e você quiser otimizá-las ainda mais? Vale a pena mudar a URL?
Resposta: não. Quase nunca.
Eis o que John Mueller disse no Reddit quando questionado sobre isso:
“Se você é um profissional de SEO cobrando por hora para implementar essa mudança, então vai ajudar seu bolso.
Vai ajudar o site? Muito, muito raramente (talvez só se as URLs forem tão ruins que nem dê para copiar e colar).
A mudança vai afetar negativamente o site por um tempo, até que seja reprocessado? Provavelmente.
Risco + normalmente zero ganho = … ?”
Boas práticas nem sempre impactam em resultados
Só porque algo é considerado uma boa prática, não significa que você deve executá-lo. No SEO, somos tão obcecados por listas e checklists de SEO que frequentemente esquecemos o panorama geral e o que realmente estamos tentando alcançar.
A otimização de URLs entra na categoria de depende: Essa mudança vale mesmo a pena?
